A importância do suporte familiar na saúde mental

Para além dos evidentes fatores genéticos que nos são transmitidos à nascença, a dinâmica familiar constitui-se como uma das principais bases da vida psíquica do indivíduo, uma autêntica forja que possibilitara construir uma personalidade resiliente, manifestar afetos e emoções de modo equilibrado, desenvolver padrões morais e limites sociais assertivos, e criar relações interpessoais essenciais como as de amizade ou as conjugais.

A organização familiar, desde a primeira fantasia que o casal manifesta sobre a possibilidade de virem a engravidar, passará de modo progressivo a exercer funções fundamentais quer a nível emocional, quanto afetivo, proteção e formação social, elementos que uma vez interiorizados psiquicamente pela criança, alavancam posteriormente o adolescente e seguidamente o adulto para a preciosa e indispensável auto-estrada da auto-estima, autos que são de genuína autonomização e permitem fazer frente as mais diversas dificuldades.

Quando a estrutura familiar possui esta dinâmica, há efetivamente promoção da saúde mental, mas quando não a possui, a probabilidade de surgirem perturbações mentais aumenta consideravelmente, tornando-se essencial ajudar a família a desenvolver as competências necessárias para apoiar o seu membro em dificuldades, reorganizando emocionalmente a família nesse sentido, mediante um contexto intrinsecamente apoiado pelo técnico de saúde mental, seja o Psicólogo Clínico e/ou o Psiquiatra. O objetivo crucial será o desenvolvimento da comunicação genuína, assertiva e emocionalmente congruente, a capacidade de demonstrar afeto, motivar e proteger, e desta forma alterar as dimensões da dinâmica disfuncional que antes existia.

Dr. Adérito Cavaco, cédula n.º 2270