Bullying

O Bullying é uma tipologia de violência e humilhação infligida intencionalmente e repetitivamente às suas vítimas, cujo o objetivo principal é intimidar e dominar o outro. Tratando-se de um conflito triângular que correleciona agressores-vitimas-e audiência, em que os agressores projetam fortes impulsos emocionalmente e/ou fisicamente destrutivos contra as suas vítimas; sendo que estes agressores também estão a atacar a si próprios, projectando as suas próprias angústias; e por fim, os que assistem e pouco fazem para impedir a agressão, em que se limitam a ver e às vezes a motivar.

Os agressores são indivíduos que provêm muitas das vezes de enquadramentos famíliares psicologicamente críticos, demonstrando possuirem pouquíssima empatia. As vítimas de modo geral, poderão ser indivíduos inseguros, que poderão revelar algum défice de sociabilidade e de baixa auto-estima, contudo, por outro lado poderão ser incluidas nestes cenários de surpresa, não existindo qualquer aviso prévio que indicie estes comportamentos, ao qual se associa a incapacidade em reagir devido a este estado de não-preparação, o que irá traumatizar e envolver a vítima numa espiral emocional de difícil resolução.

A audiência diverge no aspeto de atuar do agressor, ao invés, revela uma dinâmica passivo-agressiva ativada primeiramente pelos neurónios-espelho ao observarem o cenário agressivo, o que ativa em determinados indivíduos um tipo de pulsividade agressiva que comunga com um prazer sádico que se realiza instintivamente e projectivamente nos comportamentos presenciados, tornando-os igualmente parte inerente ao Bullying.

Pelo que este triângulo requer apoio psicoterapêutico individualizado, num espaço estruturado onde todos estes conteúdos poderão ser analisados, interpretados e resolvidos. Percebendo-se como essencial que os pais e restantes familiares próximos de todos estes elementos, sejam parte integrante no decorrer do tratamento, promovendo, sob a orientação do terapeuta, tempo emocionalmente estruturado com os filhos, edificando uma vinculação saudável que permita desenvolver empátia, confiança e um forte sentimento de integridade.

Dr. Adérito Cavaco, cédula n.º 2270