Relações tóxicas e/ ou abusivas

São uma tipologia de comportamentos recorrentes onde uma ou mais pessoas, procuram dominar, desvalorizar e consequentemente diminuir o outro. Tendências agressivas de origem narcísica que pretendem alimentar o ego de quem as pratica, as quais são projetadas em contextos tão habituais como o trabalho, a família, a relação conjugal ou mesmo entre "amigos", podendo este abuso ser psicológico, sexual, físico ou mesmo uma combinação intrínseca destes elementos.

Exemplos disso são a traição conjugal, a intimidação por forma a alcançar o acto sexual, o uso da força física para subjugar ou a difamação enquanto forma de causar a rejeição social do indivíduo pelo seu grupo.

Esta dinâmica com características agressivas, implica necessariamente um controlo restrito baseado numa comunicação que "asfixia" a vítima, manipulando-a, e não a deixando"oxigenar" a sua própria liberdade, retirando-lhe a sua capacidade de se auto-defender. Falamos assim, de instintos primitivos de possessão e controlo capazes de originar quadros psicopatologicos severos.

Diante de alguém com características tóxicas, torna-se indispensável oferecer ajuda tanto a vítima quando ao agressor, ambos requerem intervenção clínica imediata. A vitima por estar emocionalmente fragilizada, precisa de apoio psicoterapêutico para que possa reconhecer conscientemente a agressão e as consequências da mesma, que não se trata de uma percepção distorcida mas que está realmente a acontecer, assim como desenvolver a sua auto-estima e desmontar os padrões disfuncionais, muitas vezes anteriores à atual relação tóxica.

E o causador desta dinâmica precisará perceber que o comportamento que possui para com a vítima é destrutivo e que terá origem em traumas que ele próprio também poderá ter sofrido anteriormente e que no agora repete compulsivamente, até porque ele mesmo poderá ter estado do outro lado do espelho e já ter sido a vítima.

A Psicoterapia será como entrar na "toca do coelho" do conto da "Alice no país das maravilhas" e lá desmontar todo este enrredo com consequências graves, revivendo de modo controlado em sessão de psicoterapia, emoções reprimidas e reforçar mecanismos de defesa necessários e flexibilização outros demasiado utilizados como a repressão de sentimentos e de experiências dolorosas, permitindo encontrar um novo modelo de comunicação consigo mesmo e com os outros.

Dr. Adérito Cavaco, cédula n.º 2270